"Um cara saiu de dentro do espelho
E o cara tinha a minha cara
Vestia um casacão de couro,que era exatamente a roupa que eu usava
Mas não se movimentava do jeito que eu me mexia
Ele nem pensava
o que minha mente queria
Ele era meu igual, só que diferente... Meu irmão gêmeo, mas não era meu parente
Ele me disse: "

[Paulinho Moska]

Um ontém que não existe mais

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Sexta-feira, Janeiro 27, 2006


Homens inventaram um papel que vale a troca de comida e superficialidade. Inventaram adjetivos para os objetos terem valor. Separaram as classes a partir do que eles acumulavam. E inventaram status para tudo isso não parecer imbecilidade demais. Querem sempre parecer mais importante do que o outro sem olhar a quem.

Um desses homens, anatomicamente e funcionalmente igual, que nunca teve desse papel colorido e valioso, que é criado na frieza, maldição e crueldade das ruas, depara-se com um conjunto de tijolos (que chamam de casa) sem os cadeados e os portões altos. Como não entender a revolta e o desejo de tirar dos outros o que não lhe foi dado? O que passa na cabeça dele? "Não posso perder essa oportunidade"?

Oportunidade tem seus 50 significados.

Regras "tem que ser obedecidas" e outros homens, estes fardados (mais uma invenção daquelas), aparecem para atuar a lei e ao invés de dar um afago, mostrar um caminho, dar uma "oportunidade" de uma vida comum (?), que possa suprir as necessidades básicas de sobrevivência, vestem o pobre "delinqüente" de 14 anos de pancada, porrada (e tudo mais que eles possam fazer para descarregar suas raivas) e abre-lhe todas as cicatrizes que arderam para fechar. Seu corpo esquelético cheio de marcas e sua cabeça rodando em drogas vão olhar para isso tudo e chamar de cidadania?

Meu corpo limpo e são também não.


posted by M at 8:15 AM

 

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006


Foi cedo, vai saber quando volta, mas fica aqui comigo a certeza de Paulinho, aquela que tão logo aquece o abraço, aquela da identificação do espelho, essa coisa de reflexo do que eu fui, sou e gostaria de ser um dia, tudo por vontade de criança, de somente ser, e ser alguém é bom, ser reflexo deve ser também, eu acho.

Veio tarde, mas sempre há o tempo bom, as madrugadas dos abraços e os olhares de reconhecimento, por dentro da cachola frases bamboleiam, coisas como: "hum então vocês são assim?!" ou então "olhe só, são de carne e osso, como eu!" é tudo muito à vontade, é tudo muito real, e risonho, é tudo muito de verdade, que bom.

Voltarei depressa, voltarei porque desde 1982 não sei o que é aconchego, o que é lar, esse lar que perdi no ventre de mamãe, e só agora reencontrei, entre os meus, entre mim e o resto de tudo, entre o virtual e o real, enfim, entre meus amigos. Pode parecer que exagero, mas pergunte a algum doente da Síndrome de Ian Curtis o que é sentir-se bem, e ele gaguejará por toda eternidade, agora eu posso dizer que não sou mais a única, existem mais de mim pelo mundo e isso me conforta, tanto quanto foi confortável abraçá-los e estar em seus abraços.

Em verdade, em verdade vos digo: Não há solidão de idéias que resista a amigos fiéis como os meus. Feliz daquele que um dia se depara com pessoas como as que eu conheci, e mais ainda, bem aventurados são aqueles que podem chamá-los de amigos.

Ou resumindo: FOI FODA!

Mah [ehhhhhhhhhhhh]