"Um cara
saiu de dentro do espelho
E o cara tinha a minha cara
Vestia um casacão de couro,que era exatamente a roupa que eu usava
Mas não se movimentava do jeito que eu me mexia
Ele nem pensava o
que minha mente queria
Ele era meu igual, só que diferente... Meu irmão gêmeo, mas não era meu
parente
Ele me disse: "
[Paulinho
Moska]
Um
ontém que não existe mais

|
|
Domingo, Fevereiro 19, 2006
Leio, escrevo, falo, às vezes penso na sutileza do amor correspondido e lembro de todas as vezes que isso aconteceu, não só comigo apenas, mas com todos que viveram, vivem e viverão nesse mundo, tantos ais expelidos como solfejos de paixão, são como ervas daninhas, sem veneno pra matar, porque ela é o próprio veneno que corrompe a alma limpa e pura, no coração dos não amados e não correspondidos essa coisa toda de emoções fazem partes de historinhas infantis que ouviram na época em que o papai Noel tinha cabelos loiros. Grandes bobagens que fazem parte do crescimento de qualquer ser humano desfavorecido sentimentalmente.
Escrevo, falo, às vezes leio sobre essa coisa toda que me faz sentar na janela do quarto e pensar se pulo ou não pulo, que me fazer querer saltar dali e se por sorte não quebrar algum osso, correr até o outro lado da linha velha, e descobrir se realmente existem bichinhos encantados lá ou se é só mangue mesmo. Eu gosto dos invisíveis, aquelas pessoas que passam por mim todos os dias, que carregam seus problemas sérios e suas frustrações, quantas delas foram abraçadas durante essa noite? Quantas delas molharam o travesseiro de tanto chorar, sabe Deus por quem? Essas são as verdadeiras grandes almas que povoam o mundo, enquanto continuamos a procurar grandes gênios que nadam numa vida incrível e assustadoramente fantasiosa, como se fossem Indiana Jones, sempre cheios de grandes aventuras e com toda uma raça de bobos a suspirar em volta de seus falsos triunfos, é eu prefiro os invisíveis, que amam, sofrem, choram, e podem até sentir dores de barriga como qualquer mortal, incluindo eu e você, e qualquer miserável que está deitado no sofá de casa pensando na merda da vida que anda levando, e nesse dia infeliz que é domingo, onde todos somos solitários e praticamente todos somos infelizes, muito mais do que fomos ontem ou seremos amanhã.
Penso, falo, leio, agora escrevo por querer ser só um pouquinho menos reclamona e consciente dessa vida que levo, essa coisa sem graça que enche minha semana e me amarra à dividas e responsabilidades, ganho dinheiro pra nutrir meu espírito de tudo aquilo que jamais me servirá pra qualquer coisa, trabalho porque disseram que eu preciso disso, durmo porque o corpo morrerá caso eu não o faça, sonho por que em algum momento meu dia precisa ser bom, e escrevo porque hoje, isso é tudo que me resta.
Mah
|
|