"Um cara
saiu de dentro do espelho
E o cara tinha a minha cara
Vestia um casacão de couro,que era exatamente a roupa que eu usava
Mas não se movimentava do jeito que eu me mexia
Ele nem pensava o
que minha mente queria
Ele era meu igual, só que diferente... Meu irmão gêmeo, mas não era meu
parente
Ele me disse: "
[Paulinho
Moska]
Um
ontém que não existe mais

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Quarta-feira, Março 22, 2006
É certo que de vez em quando não me reconheço. Mas não me reconhecer não quer dizer que eu não seja a mesma pessoa. Sou a mesma pessoa só que diferente. Se é alguém me entende. Mas não precisa. Não precisa realmente. Eu e meus problemas de gente comum. É só não pensar neles e é como mágica. A vida flui.
O grande e único enorme e central problema é que parar de pensar é algo que não aprendi na escola. As pessoas que estão passando superficialmente por aqui, por ali, por aí estão me ensinando absurdos de simplicidade que eu nunca pude perceber antes. Só que. As pessoas se vão. E isso eu tenho que me acostumar.
Me acostumar a aprender. A não pensar. A deixar acontecer. E é assim que as coisas funcionam. Tira então essa obrigatoriedade de sempre me explicar, de procurar explicações, de ficar confusa por não achar nenhuma, de perder o tempo sempre pensando. Pensando. Pensando. Pensando a nada.
Você está certo.
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
Maris
posted by M at 5:08 AM
Segunda-feira, Março 13, 2006
Ela pensou em escrever palavras bonitas
Em expressar de forma poética tudo isso que sente
Pensou e pensou e pensou e mais uma vez
Concluiu que no que sente não cabe o pensar
Não há espaço vago em sua mente e coração
Não sabe dizer ao certo quando descobriu isso
Queria até saber, só pra te contar
Olhar nos teus olhos e dizer:
Segunda às duas e quarenta da manhã descobri que não preciso me entender
Mentirosa!
Foi às duas e quarenta e três
Porque as duas e quarenta ela abandonou o antigo futuro
E ele era como essas linhas
Tortinho, tortinho, tortinho
Até pra ela, não entendia nada
Era tristinho coitado
Era um futuro, sem futuro
E ela encolhia dia a dia
E queria mais, queria crescer, mas ia ficando pequena
E sozinha e pequena e sozinha e pequena e triste
Era uma menina triste essa Marília
Toda problemática e sozinha
E dramática, dizem alguns.
E, e...e...e...e...e...
Sempre iniciava frases com "e"
Só para somar
Somava o tempo inteiro,
Somava dores e amores e desamores e afetos e migalhas e lembranças
Ela tinha lembranças
Mas agora não encolhe mais,
Ta crescendo a Marília, e ficando moça
Grande, grande, grande, grande
E o mundo foi ficando miudinho
E ela fazia parte de tudo agora
Mas não gostava muito
Era legal ser só
Era seguro
Agora ela sente medo
Medo de tudo
De assalto, morte, de cachorro e gato
De trovão e de cobra do norte
Menina estranha essa Marília
Olha lá, ela fala sozinha
E conversa com a amiga do espelho
Você gosta dela menina?
Ela é boazinha!
Goste, goste, goste, goste e canse!
Canse dela menina, e canse logo
Deixe-a sair sozinha e chorar em paz
Chorar de rir, chorar por ser grande
Quando era miudinha, a Marília,
Ela chorava também
Mas era de tristeza, pobrezinha
E agora que é grande, chora do quê?
Chora pra fingir que é pequena e ninguém liga
Pequenininha inha inha inha
Assim mesmo
Mas ninguém liga quando um grande chora
Mulher esquisita essa Marília
Ta olhando todo mundo viver
E acha bonito e observa
E diz que quando crescer vai viver também
Tem futuro essa menina,
Um belo futuro...
Tortinho, tortinho, tortinho.
Mah [a boba sou eu]
posted by M at 4:48 PM
Terça-feira, Março 07, 2006
Maaaaaaaaaaaal. Mal que não tem mais jeito. Odeio essa forma de sentir tudo demasiado. De estar sempre com o copo no topo, cheio de emoções prontas pra derramar. Essas emoções. Tão passageiras e tão sinceras. O que seria de mim sem esses impulsos constantes e abusivos e doloridos e mortais? O que seria de mim se eu não morresse todos os dias? E a dor que dói sempre no meu pensamento, e o meu pensamento que toma conta de tanto tudo? E a vontade que nunca passa? E os dias que chegam e deixam tudo pra trás? Preciso desses dias.
Preciso dormir.
E passar.
posted by M at 10:39 PM
Alerê
Dia sim dia não tem novidade. Dia feliz, dia dúvida, dia feliz. Gosto de ter problemas de pessoas normais. O problema mesmo é me sentir fútil. Mas isso já não importa tanto. Culpa não combina com futilidade.
O que realmente interessa?
Estou na deriva. Velejando com um vento arrasador mas esporádico. Às vezes penso mesmo em mergulhar e ver os peixes. Mas tenho (muito) medo de peixe. Não, não sei porquê. Também tenho medo de cachorro e de não ser mais a mesma pessoa.
E tenho medo desse barco parar e eu não saber mais voltar.
Mas por enquanto vai ser assim.
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